domingo, 29 de setembro de 2013

Congresso de Saúde Mental e Dependência Química


Agradeço o apoio e a colaboração do diretor, dos agentes penitenciários, médicos, enfermeiros, demais funcionários da administração e dos internos do Instituto de Psiquiatria Forense do Estado da Paraíba (IPF), por terem me possibilitado a realização deste trabalho, a saber,"A MEDIDA DE SEGURANÇA E O TRATAMENTO AMBULATORIAL ALIADOS AO TRATAMENTO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA: ESTUDO DE CASO NO INSTITUTO DE PSIQUIATRIA FORENSE DO ESTADO DA PARAÍBA", apresentado no eixo da Comunicação Oral e Relatos de Experiência no I Congresso Brasileiro de Saúde Mental e Dependência Química: pesquisa, prevenção e intervenção as drogas e seus desafios no mundo contemporâneo, promovido pelo Curso de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, em junho do corrente ano.

Desta vez, acompanhei a clausura, não apenas como punição, mas como medida de tratamento a indivíduos que possuem transtornos mentais. Mergulhei no mundo da psicologia, a qual tanto admiro.

Agradeço a Deus e aos colegas por terem me possibilitado adquirir mais conhecimento, vivenciar e relatar novas experiências.  Mais um trabalho gratificante, digo repetidas vezes que, a experiência de estar perto ao cárcere foi um divisor de águas em minha vida, os internos cada um ao seu modo, me fizeram ter uma nova visão da vida e do ser humano.


A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente".
O Alienista
Machado de Assis




terça-feira, 17 de setembro de 2013

O caso da viúva





“Este conto deve ser lido especialmente pelas viúvas de vinte e seis anos...

Vinha sinceramente triste; mas excepcionalmente bela, graças às roupas pretas...


[...]


...baixara os olhos; estava ofegante, e lutava consigo mesma. O pedido para que ele ficasse esteve quase a saltar-lhe do coração, mas não chegou nunca aos lábios. Não lhe pediu nada, deixou-se estar pálida, inquieta, a olhar para o chão, sem ousar encará-lo. Era positivo o efeito da notícia; e o Rochinha não esperou mais nada para pegar-lhe na mão. Maria Luísa estremeceu toda, e ergueu-se. Não lhe disse nada, mas afastou-se logo. Momentos depois, saía ele reflexionando deste modo: 

Faça o que quiser, ama-me! "

Machado de Assis, 1881

segunda-feira, 16 de setembro de 2013



"Dos muitos instrumentos inventados pelo homem, nenhum pode comparar-se nem de longe ao livro, porque  os outros instrumentos são extensões, são mecanismos desse outro mecanismo que é o nosso corpo...Em troca, o livro é uma extensão da memória e da imaginação".

Livro muda as pessoas.
Livro muda o mundo.
Leia mais para ser mais!

Jorge Luis Borges*
_____________________

* Escritor Argentino

Trecho retirado do Prefácio da Coleção "O Autor por Ele mesmo" da Editora Martin Claret

domingo, 1 de setembro de 2013

Tarsila do Amaral

 


  Pintora brasileira


Tarsila do Amaral (1886-1973) foi pintora e desenhista brasileira. O quadro "Abaporu" pintado em 1928 é sua obra mais conhecida. Junto com os escritores Oswald de Andrade e Raul Bopp, lançou o movimento "Antropofagia", que foi o mais radical de todos os movimentos do período Modernista. O Movimento foi inspirado no quadro "Abaporu" que significa antropófogo em tupi. Sobre seu quadro Tarsila diz "Essa figura primitiva e monstruosa nasceu de um sonho". Tarsila ofereceu esse quadro ao namorado Oswald de Andrade, como presente de aniversário.

Tarsila do Amaral (1886-1973) nasceu na Fazenda São Bernardo, no município de Capivari, interior do Estado de São Paulo. Filha de José Estanislau do Amaral Filho e Lydia Dias de Aguiar do Amaral. Era neta de José Estanislau do Amaral, que em razão de ter acumulado fortuna adquirindo fazendas no interior de São Paulo, foi apelidado de "milionário". Seu pai herdou apreciável fortuna e diversas fazendas nas quais Tarsila passou a infância e adolescência.

Filha de família tradicional e rica, estudou em São Paulo no Colégio de freiras e no Colégio Sion. Completa seus estudos em Barcelona, na Espanha, onde pintou seu primeiro quadro, "Sagrado Coração de Jesus", aos 16 anos. Na sua volta ao Brasil casa-se com o noivo André Teixeira Pinto, com quem teve uma filha.

Em 1916 começa a trabalhar no ateliê de William Zadig, escultor sueco radicado em São Paulo. Com ele aprende a fazer modelagem em barro. Separa-se de André Teixeira e em 1920 vai para Paris, onde estuda na Academia Julian, escola de pintura e escultura. Estuda também com Émile Renard.

Tarsila tem uma tela sua admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses em 1822. Nesse mesmo ano regressa ao Brasil e se integra com os intelectuais do grupo modernista. Faz parte do "Grupo dos Cinco", juntamente com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia.

Nessa época, já separada, começa seu namoro com o escritor Oswald de Andrade. Embora não tenha sido participante da "Semana de 22" integra-se ao Modernismo. Volta à Europa em 1923 e mantem contato com os modernistas que lá se encontravam, são intelectuais, pintores, músicos e poetas. Estuda com Albert Gleizes e Fernand Léger, grandes mestres cubistas. Mantém estreita amizade com Blaise Cendrars, poeta franco-suíço que visitou o Brasil em 1924. Inicia sua pintura "pau-brasil" dotada de cores e temas acentuadamente brasileiros.

Em 1925 ilustra o livro "Pau-Brasil" de Oswald de Andrade. Em 1926 expõe em Paris, obtendo grande sucesso. Casa-se no mesmo ano com Oswald de Andrade. Em 1928 pinta o "Abaporu" para dar de presente de aniversário a Oswald que se empolga com a tela e cria o "Movimento Antropofágico". É deste período a fase antropofágica da sua pintura. Em 1929 expõe individualmente pela primeira vez no Brasil, no Palace Hotel em São Paulo. Separa-se de Oswald de Andrade em 1930.

Em 1933 pinta o quadro "Operários" e dá início à pintura social no Brasil. No ano seguinte participa do I Salão Paulista de Belas Artes. Começa um relacionamento com o escritor Luís Martins que durou quase vinte anos. De 1936 a 1952, trabalha como colunista nos Diários Associados onde ilustra retratos de grandes personalidades. Nos anos 50 volta ao tema "pau brasil". Participa em 1951 da I Bienal de São Paulo. Separa-se de Luis Martins. Em 1963 tem uma sala especial na VII Bienal de São Paulo e no ano seguinte tem participação especial na XXXII Bienal de Veneza.

Tarsila realiza em 1970, no Rio de janeiro e depois em São Paulo, uma retrospectiva, "Tarsila: 50 anos de Pintura". Recebeu o premio Golfinho de Ouro em 1971.
Tarsila do Amaral faleceu em São Paulo no dia 17 de janeiro de 1973.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O mensalão...




Barroso, aquela fitinha no braço, a democracia e o discurso fora do lugar. Ou: O mensalão é culpa deles, ministro, não nossa!

Há lateralidades em situações e personagens que insistem em nos dizer alguma coisa. Lembro-me de um texto divertido de Gore Vidal em que ele encana com a peruca torta de um adversário de debate. O ministro Roberto Barroso, do STF, não usa peruca, mas ele tem uma fitinha no pulso, que parece, à distância, meio esgarçada. Não sei se é do Senhor do Bonfim ou de algum orientalismo qualquer. Mas está lá. Quando ele gesticula, ela aparece. Um senhor na sua posição e na sua faixa etária usar um adorno como aquele sempre significa alguma coisa. Tendo a achar que está a nos dizer que é um homem, sei lá, de pensamentos singulares, o que explica, por exemplo, ter entre seus artistas prediletos Taiguara. Ou ainda: nele, a razão do juiz se deixa enternecer por alguma forma de crença — mas não uma crença convencional. Ou ainda: erudito e popular se encontram, ali na fronteira em que se salta de Beethoven para Ana Carolina. Se aquela fitinha não quisesse dizer nada, não estaria ali como um “punctum” na tela — ficaria escondida sob o punho da camisa. Que significa alguma coisa, isso significa. E uma das nossas tarefas é interpretar signos.
A fitinha é um emblema, parece-me, de uma certa heterodoxia analítica que, tudo indica, não é estranha à sua obra. Só li um livro seu. Mas achei lá um monte de pensamentos com fitinhas, de leituras da Constituição com fitinhas, de interpretação com fitinhas. Não foi diferente nesta quarta-feira. Ao rejeitar os embargos de declaração interpostos pela defesa de José Genoino, afirmou:“Pessoalmente, lamento condenar um homem que participou da resistência à ditadura (…). Lamento condenar alguém que participou da reconstrução democrática do país. Lamento, sobretudo, condenar um homem que, segundo todas as fontes confiáveis, leva uma vida modesta e que jamais lucrou financeiramente com a política”.
Ai, ai… Não posso cortar a fitinha do braço do ministro, mas posso lançar fora a que enfeita esse seu pensamento torto. Não sei se ele pretende fazer também esse desagravo a José Dirceu, o chefe da quadrilha, mas acho que não. Ocorre-me perguntar a que José Genoino ele se referia: àquele que foi deputado federal ou àquele que participou, ou quase, da guerrilha do Araguaia. O deputado ajudou a construir a democracia como outros quaisquer — inclusive Delfim Netto, que assinou o AI-5, hoje um lulista entusiasmado. Se, no entanto, falava do guerrilheiro, aí aguardo um livro da excelência demonstrando como a luta armada e as ações terroristas ajudaram a construir o estado de direito no Brasil. Ajudaram?
Alguém me evidencie, por favor, pela via dos fatos, não com fitinhas de pensamento alternativo no braço, como foi que aquele PCdoB, a VAR-Palmares (de Dilma) ou a ALN, para citar as organizações extremistas mais conhecidas, colaboraram com o regime democrático. Quero saber que herança deixaram na legislação que orienta o estado de direito. Com assalto a bancos? Com o confronto na selva? Com o assassinato de 122 inocentes? Como? É claro que eu sou um filho da mãe sem fitinha; é claro que eu sou um reaça desprezível; é claro que etc., etc., etc.. Mas me digam onde estão os fatos, e eu já me darei por satisfeito. Construíram a democracia os que tiveram a clareza de organizar a resistência pacífica e de criar instituições, excelência! Os extremistas só criaram dificuldades adicionais. Nem toda vítima deixa um legado benigno.
Há outro enfeite muito especioso nesse pensamento. E daí que Genoino seja um homem pobre e jamais tenha enriquecido na política? Foi para espalhar a sua honestidade pessoal e fazer dela um norte conceitual da política que referendou aqueles empréstimos mandraques intermediados por Marcos Valério, cuja fonte era, como restou provado, dinheiro público? De novo lá vou eu recomendar, agora a Barroso, que leia “Sussurros”, de Orlando Figes, sobre a vida cotidiana sob o tacão de Stálin. Para si, como consumidor, o tirano sempre quis muito pouco. A sua concupiscência era de outra natureza. Por baixo dessa fitinha, há uma outra, ainda mais escondida: cometer crimes em benefício de um partido e de um projeto de poder é mais desculpável, ou menos condenável, do que em benefício pessoal? Numa linguagem mais crua: quem rouba para enriquecer é menos moral do que quem rouba em nome de uma causa?
Ainda era pouco
A ladainha sobre Genoino preparava um discurso mais genérico — o que é sempre desaconselhável num juiz, a menos que esteja tratando de questões doutrinárias — sobre o sistema político brasileiro, que, segundo ele, induz o crime. Acusou parlamentares de transformar o Congresso num balcão de negócios. “Essa é a dura realidade: um modelo político em que o interesse público frequentemente precisa ser comprado“, afirmou. “Se não se alterarem, essa lógica da compra e venda irá continuar. Como água torrencial que corre, a corrupção encontrará seus caminhos”, metaforizou o fã de Taiguara.
Esse é um discurso que fica bem em outro palácio da Praça dos Três Poderes: o do Congresso. Ministros estão no da Justiça para fazer valer as leis e a doutrina, não para ser os Catões de plantão do processo político. E seguiu com seu cenário apocalíptico: “Loteamento de cargos públicos drenarem recursos para eleições; emendas orçamentárias que beneficiam empresas de fachada que repassam verba para o bolso ou partido; licitações superfaturadas, subfaturas ou cartelizadas; venda de penduricalhos em medidas provisórias para atender a interesses que não se saem bem no debate público”.
Parece duro e preciso, mas também vejo aí uma generalização perigosa que, como numa peça de Gil Vicente, confunde “Todo Mundo” com “Ninguém”. Se o sistema é corrupto e corrompe, os corruptores e os corrompidos são mais vítimas passivas de algo muito maior do que suas respectivas vontades do que protagonistas da lambança. Barroso já havia me incomodado outro dia, quando misturou os crimes do mensalão com o sujeito que leva seu cachorro para a praia. O PT chegou ao poder com a maior base de apoio que teve um governo em períodos democráticos. Não corrompeu porque precisasse. Corrompeu porque aquela engenharia era parte de um projeto de poder.
Essas considerações de Barroso buscam eliminar as particularidades do mensalão. Não se tratou apenas de drenar recursos públicos para bolsos privados — e não que isso já não seja extremamente grave. Tratou-se de uma tentativa de golpear as instituições. Não sei por quê, ou sei, mas entendo esse discurso como uma defesa nem tão velada do financiamento púbico de campanha — que, ele sim, teria o condão de jogar o processo político brasileiro na clandestinidade.
O ministro foi além: “Precisamos não de uma agenda política, mas de uma agenda patriótica para desfazer essa armadilha histórica que nos manterá atrasado, girando em círculos, incapazes de dar um salto moral para fora do pântano”. Bem, mudar o sistema político, como disse, é coisa de que se deve cuidar em outro palácio. Já esse negócio de “agenda patriótica” para “sair do pântano” é conversa de guru ou de ideólogo. Não fomos nós que fizemos o mensalão, não, ministro! Foram eles! Evoque as leis, a jurisprudência e os princípios para se ocupar dos casos que estão no tribunal. Pensamentos heterodoxos, com fitinhas, terão de esperar a aposentadoria. “Agenda patriótica” é coisa de palanque.
Encerro
Lembro que Barroso teve uma chance formidável de dar uma pequena contribuição para criar esse país mais moral, mas fez justamente o contrário. Com o seu voto — puxando o cordão, diga-se —, o Supremo decidiu que cabia à Câmara e ao Senado dar a última palavra sobre o mandato de parlamentares condenados em processos criminais.
O ministro lamentou ainda o arrefecimento dos movimentos de rua e afirmou que os políticos já não estão mais atentos às demandas populares: Pior que tudo: o povo saiu da rua e já não se fala mais em mudanças”. Não dá! É fitinha demais de heterodoxia numa discurso só. Que conversa é essa? Algumas reivindicações eram boas; outras, nem tanto, e havia (e há) as francamente estúpidas. “Povo na rua” não é uma categoria de pensamento, um bem em si mesmo — como evidenciaram os vários fascismos ao longo da história.
É claro que a fitinha no braço do ministro não me incomoda e é questão de gosto — como a música de Taiguara. Mas esse discurso cheio de penduricalhos heterodoxos nem melhora a Justiça nem melhora a política. Vira só um desabafo fora do lugar. De todo modo, o homem se conhece mais pela obra do que pelo palavrório. O debate sobre os embargos infringentes está chegando. E aí saberemos se o ministro aposta contra o pântano ou a favor dele.

Por Reinaldo Azevedo
veja.abril.com.br

domingo, 18 de agosto de 2013

Aqueles Dois



"Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.


Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e  antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos pela janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi. Ai-ai alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

Pelas tardes empoeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E  foram". 

Caio F. Abreu



sábado, 3 de agosto de 2013

25 anos sem Paraibinha...


"Paraibinha" foi destaque pela humildade, simpatia e garra.Faleceu quando defendia a liderança do Brasileiro de 250 cc de 1988, do qual foi declarado campeão in memorian (o vencedor foi Eduardo Sacaki)
Ylton Veloso, piloto de motocross, conhecido como Paraibinha, ocupava a liderança do Campeonato Brasileiro de Motocross, na categoria 250 cilindradas. Estava internado desde o dia 16 de julho, quando sofreu uma queda durante os treinos para o Hollywood Motocross, em Petrópolis, fraturando duas vertebras da coluna cervical. Ylton Veloso morreu dia 03 de agosto de 1988, aos 25 anos, de parada respiratória e peritonite por úlcera perfurada, em Campinas SP.
Foi um dos pilotos mais carismáticos do Motocros Brasileiro e deixa saudades até hoje.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

83 anos da morte de João Pessoa




Há exatos 83 anos atras, mas precisamente, no dia 26 de julho de 1930, todo Estado da "Parahyba", se entristecia e, chorava, pesarosamente, com o lamentável assassinato de seu Presidente João Pessoa Cavalcante de Albuquerque, numa das salas da tradicional Confeitaria Glória, localizada na Capital Pernambucana. Conforme os historiadores, os fatos se constituiu num dos maiores estremecimentos da vida pátria, gerando consequências diversas, inclusive uma traumática revolução e, mais na frente, para a tomada do comendo do poder Nacional.

João Dantas - O acusado principal, alegava, na época, uma série de razões em sua defesa que, por outro lado, eram tempestivamente rebatidas pelos fiéis correligionários do comandante, assassinado, segundo enfatizavam, sem a menor possibilidade de defesa. Diante de tudo isto, uma verdadeira lamentação pública foi registrada, em todo Estado , acarretando assim, na mudança do nome da capital, que a partir do dia 04 de setembro daquele mesmo ano, passou a se chamar João Pessoa.




Da redação

DiáriodoBrejo.com

terça-feira, 23 de julho de 2013

Crime de feminicídio

 
 

Crime de feminicídio poderá ser incluído no Código Penal

 
O Código Penal(Decreto-Lei nº 2.848/1940) poderá contar com mais uma forma qualificada de homicídio: o feminicídio. A pena sugerida para o crime – conceituado como “forma extrema de violência de gênero que resulta na morte da mulher” – é de reclusão de 12 a 30 anos.
 

A tipificação especial para o delito foi recomendada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher e está prevista no projeto de lei do Senado ( PLS 292/2013 ), proposto no relatório final da CPI. O projeto também deixa claro que a aplicação da pena do feminicídio não elimina punições por demais crimes a ele associados, como estupro.
 
Circunstâncias
 
O PLS 292/2013 estabelece três circunstâncias para caracterizar o feminicídio, passíveis de ocorrer de forma isolada ou cumulativamente. Em primeiro lugar, a relação íntima de afeto ou parentesco – por afinidade ou consanguinidade – entre vítima e agressor, seja no presente ou no passado. Outra hipótese é a prática de qualquer tipo de violência sexual contra a vítima, antes ou após sua morte. Por fim, a mutilação ou desfiguração da vítima, antes ou após sua morte.
 
Ao justificar a proposta, a CPMI registrou o assassinato de 43,7 mil mulheres no país entre 2000 e 2010, 41% delas mortas em suas próprias casas, muitas por companheiros ou ex- companheiros. O aumento de 2,3 para 4,6 assassinatos por 100 mil mulheres entre 1980 e 2010 colocou o Brasil na sétima posição mundial de assassinatos de mulheres.
 
Impunidade
 
Relatada pela senadora Ana Rita (PT-ES), a CPMI também avaliou a aprovação da Lei Maria da Penha ( Lei nº 11.340/2006 ) como um ponto de partida, e não de chegada, no combate à violência contra a mulher. Daí a defesa da inclusão do feminicídio no Código Penal, em sintonia com recomendação recente da Organização das Nações Unidos (ONU).

“A importância de tipificar o feminicídio é reconhecer, na forma da lei, que mulheres estão sendo mortas pela razão de serem mulheres, expondo a fratura da desigualdade de gênero que persiste em nossa sociedade, e é social, por combater a impunidade, evitando que feminicidas sejam beneficiados por interpretações jurídicas anacrônica e moralmente inaceitáveis, como o de terem cometido “crime passional”, como é observado na justificação do PLS 292/2013.
 
JusBrasil

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Direitos dos trabalhadores brasileiros são ressaltados em 70 anos de CLT

 

Lei trabalhista deu origem a direitos, como férias, 13º e seguro desemprego.
Freelancer e trabalhador PJ também são modalidades usadas no mercado
.

 
 
 
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) completa 70 anos. Desde sua criação, os trabalhadores conquistaram muitos direitos. Foi durante o regime do Estado Novo que o salário mínimo, a jornada definida e a carteira de trabalho foram criados.
 
Muita gente ficou diante de uma câmara fotográfica pela primeira vez para tirar os retratos 3X4 exigidos para fazer o documento. A consolidação das leis trabalhistas foi promulgada no dia 1º de maio de 1943 pelo presidente Getúlio Vargas.
 
Hoje, os direitos não param de aumentar e só nos primeiros cinco meses deste ano foram emitidos quase três milhões de documentos. “A CLT vem avançando significativamente, muitas normas foram criadas, como o direito a férias, 13º, fundo de garantira e seguro desemprego”, afirma a juíza do trabalho Olívia Figueiredo.
 
Servente de obras foi a ocupação que mais se formalizou em 2013, com um saldo de 70.775 vagas. Em seguida, está o cargo de alimentador de linha de produção, com 68.364 vagas, e o de auxiliar de escritório, com 34.920 postos de trabalho.
 
Outras modalidades
 
Mesmo com o crescimento da carteira assinada, ainda há quem trabalhe como pessoa jurídica. É o caso do professor de educação física João Marcelo Siqueira, que formado há dois anos, atua como personal trainer. Ele escolheu trabalhar por conta própria e fechou parceria com várias academias.
 
Apesar de mandar na sua agenda e pegar folga quando quiser, o trabalho de autônomo tem seus pontos negativos. Quando está de folga ou até mesmo doente, esse profissional não recebe salário. Por isso, é preciso se programar e suar a camisa para não entrar no vermelho. “A gente precisa se organizar, precisa juntar uns 10% do salário todo mês para poder se manter neste mês de férias longe, podendo curtir e sem passar apertos”, diz João.
 
Quem trabalha como pessoa jurídica também não tem direito a benefícios, como plano de saúde e vale alimentação. Além disso, para garantir uma boa aposentadoria, é preciso pagar o INSS e uma previdência privada. Mesmo assim, João diz que chega a ganhar até dez vezes mais como autônomo: “Pra mim vale a pena, continua valendo a pena”.
 
Outra modalidade de trabalho é o freelancer.  A jornalista Paula Oliveira de Sá trabalha dessa forma há sete anos. Para prestar o serviço, ela faz um contrato com os clientes e emite uma nota fiscal. Como não tem vinculo com nenhuma empresa, é ela quem contribui todos os meses para o INSS e também paga uma previdência privada, pensando em garantir uma renda melhor no futuro.
 
Como freelancer, Paula calcula que ganha hoje 50% mais do que como contratada, mas tem a despesa com o contador. Por outro lado, afirma que gasta pouco com combustível, internet e celular.
 
 
 
Jornal Hoje
Edição de  22.07.2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nelson Mandela completa seus 95 anos no hospital em Pretória

 

Ex-presidente sul-africano terá homenagens e ações simbólicas.
Mandela está hospitalizado em estado crítico há cerca de um mês e meio.


O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela completa seus 95 anos na quinta-feira em um hospital de Pretória, onde está hospitalizado desde 22 de junho em estado crítico, enquanto o mundo inteiro se prepara para homenageá-lo celebrando o "Mandela Day".

Desde 2010, a ONU comemora em 18 de julho o Dia internacional em homenagem ao herói da luta anti-apartheid, retomando uma ideia nascida na África do Sul.

Cada cidadão do mundo é chamado a dedicar simbolicamente 67 minutos de seu tempo à serviço da coletividade, em memória aos 67 anos que Mandela dedicou à luta pela igualdade racial.

Na África do Sul, uma associação vai varrer as ruas, voluntários vão pintar escolas, crianças de todo o país vão cantar "Feliz aniversário" às 8h (03h no horário de Brasília), e cada político será fotografado em uma obra de caridade.

Este aniversário será especialmente emocionante, com o ícone mundial da reconciliação racial entre a vida e a morte há semanas.

As últimas notícias parecem um pouco mais otimistas. Alguns familiares têm dito que ele 'responde ao tratamento' e que reconhece as visitas.
 
Sua esposa Graça Machel disse nesta quarta-feira estar "um pouco menos ansiosa" que na semana passada.
 
"Espero que mesmo se ele não puder aproveitar seu 95º aniversário, que esteja bem para seu 96º", declarou à AFP seu amigo de longa data George Bizos, advogado que o defender nos tribunais do apartheid.
 
Para os familiares, o aniversário também será marcado pela recente disputa envolvendo o neto mais velho de Mandela, que foi levado à Justiça por outros parentes por ter transferido, sem autorização, três lápides de três filhos do ex-presidente para o seu próprio vilarejo.
 
Mandla Mandela é acusado de querer criar um centro turístico em seu vilarejo com o nome de Mandela. Acuado, ele contra-atacou revelando segredos de família, durante uma coletiva de imprensa.
 
"Era algo que não gostaríamos que fosse revelado publicamente", declarou a neta do herói nacional, Ndileka, em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pela BBC.
 
O Mandela Day se tornou um dia importante para a maioria dos sul-africanos, e uma recente pesquisa revelou que 89% dos jovens planejam participar de ações de caridade.
 
Mesmo o presidente Jacob Zuma, em nome da reconciliação iniciada por Mandela, entregará a chave de casas populares a famílias brancas pobres.
 
Mandela, que permaneceu 27 anos na prisão pelo regime segregacionista do apartheid, foi libertado sem uma palavra de vingança. Libertado em 1990, ele negociou com o poder uma transição doce para a democracia. Uma vez presidente, em 1994, nunca tentou humilhar ou desfavorecer a comunidade branca.
 
"Nunca na história da Humanidade, alguém foi reconhecido universalmente ainda em vida como a encarnação da magnanimidade e da reconciliação", declarou o ex-arcebispo anglicano Desmond Tutu, também prêmio Nobel da Paz por sua resistência ao apartheid.
 
 
G1
 
Com a palavra Nelson Mandela:
 
"O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo".
Nelson Mandela
 
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".
Nelson Mandela

"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

(Discurso de posse, em 1994)
Nelson Mandela



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Tribunais de Justiça darão prioridade ao combate à violência doméstica

 
 
 
Os presidentes de Tribunais de Justiça de todo o País decidiram, em reunião realizada em Roraima, dar prioridade ao combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A decisão faz parte da Carta de Boa Vista, documento elaborado durante o 95º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil, realizado no início deste mês de julho em Roraima. O item 2 da Carta estabelece a necessidade da especialização de Varas e Juizados e a capacitação de servidores e de equipes multidisciplinares. “Essa decisão há de ser enaltecida, pois está de acordo com os preceitos da Lei Maria da Penha e também segue a política defendida pelo Conselho Nacional de Justiça”, afirma o juiz auxiliar da Presidência do CNJ Álvaro Kalix.
 
Segundo ele, a Carta revela a intenção dos presidentes de tribunais de Justiça de dar a necessária atenção ao tema e está de acordo com recomendações e resoluções do CNJ. A Resolução CNJ n. 128, de março de 2011, determinou a criação de Coordenadorias Estaduais da Mulher no âmbito dos Tribunais de Justiça estaduais e do Distrito Federal com o objetivo de estimular a efetiva criação e estruturação dos Juizados de Violência contra a Mulher. A ideia é garantir formação inicial especializada e permanente de magistrados e servidores que atuam na área.
 
“A disponibilidade de serviços especializados, aliada à agilidade no processamento das ações e medidas protetivas, contribui para o combate à violência contra as mulheres. A capacitação de magistrados e servidores e a estrutura diferenciada dessas unidades deverão facilitar a denúncia dos casos e o acesso das vítimas à Justiça”, acrescenta o juiz do CNJ. “É preciso ressaltar que vários desses juizados instalados já estão com sobrecarga de trabalho e tantos outros precisam ser criados, o que merece atenção especial, conforme recente pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Justiça”, completa Kalix. Clique aqui para acessar a cartilha O Poder Judiciário na Aplicação da Lei Maria da Penha.
 
Segundo o magistrado, é necessário, ainda, o trabalho integrado entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e as áreas de Segurança Pública, Saúde, Assistência Social e Educação para se obterem resultados mais efetivos no combate a essa violência.
 
Orientações – O CNJ editou em 2010 um manual e, mais recentemente, uma cartilha que servem de orientação e parâmetro para a criação e estruturação dos juizados e varas específicas. O manual – clique aqui para ler – define a estrutura mínima de pessoal e de equipamentos necessários ao funcionamento das varas, assim  como rotinas de trabalho. Já a cartilha traz um diagnóstico do Poder Judiciário nos Estados e Distrito Federal, em relação à aplicação da Lei Maria da Penha, número de casos e procedimentos, processos julgados e concluídos e uma análise da estrutura atual disponível e sugestões para o atendimento às vítimas.
 
 
Maísa Moura
Agência CNJ de Notícias

terça-feira, 16 de julho de 2013

Violência contra a mulher: mais de 40 mil homicídios femininos em uma década



Por Luiz Flávio Gomes

Não basta apenas apresentarmos soluções ou agravarmos esse tipo de crime, mais que isso, faz-se necessário que os cidadãos sejam educados à valorização da vida e do ser humano de um modo geral.

Apesar dos avanços dos últimos anos, no que tange à violência contra a mulher, levantamento feito Instituto Avante Brasil apontou que 40 mil mulheres foram vítimas de homicídios no Brasil, entre 2001 e 2010. Só no ano de 2010, 4,5 entre 100 mil mulheres perderam suas vidas no país.

Consoante o Instituto Avante Brasil, em 2010, uma mulher foi vítima de homicídio a cada 1 hora, 57 minutos e 43 segundos. Em 2001, a média era de 2 horas, 15 minutos e 29 segundos. O crescimento de mortes anual, entre 2001 e 2010, foi de 1,85% ao ano.
A mesma projeção aponta que em 2013 deverão ocorrer 4.717 homicídios entre as mulheres brasileiras.

Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 70% das mulheres sofrerão algum tipo de violência no decorrer de sua vida. E, de acordo com o Banco Mundial, as mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária.

Na América do Sul, o Brasil só perde em homicídios de mulheres para a Colômbia, que registrou, em 2007, uma taxa de 6,2 mortes para cada 100 mil mulheres. Atrás do Brasil vem a Venezuela, com 3,6 mortes para cada 100 mil mulheres em 2007, Paraguai que registrou em 2008 1,3 mortes para cada 100 mil mulheres e o Chile com 1 homicídio feminino para cada 100 mil mulheres em 2007.

Pesquisa da Organização Mundial da Saúde, que traz informações de 2006 a 2010, mostra que, se comparado com alguns países com dados homogêneos, a diferença é ainda maior: o Brasil ganha da Rússia, que registrou, em 2009, 7,1 homicídios femininos, mas atrás de países como Estados Unidos, Japão, França e Reino Unido.

A Organização Mundial da Saúde sugere que existam alguns fatores de risco que podem ser associados a um indivíduo que pratica um crime contra a integridade física de uma mulher:
- níveis mais baixos de educação (perpetração da violência sexual e da experiência de violência sexual);
- exposição a maus-tratos (perpetração e experiência);
- testemunho de violência familiar (perpetração e experiência);
- transtorno de personalidade antissocial (perpetração);
- uso nocivo do álcool (perpetração e experiência);
- ter múltiplos parceiros ou suspeita por seus parceiros de infidelidade (perpetração), e atitudes que estão aceitando de desigualdade violência e gênero (perpetração e experiência).

Apesar de todas as campanhas e recomendações das Organizações Mundiais contra a violência feminina, o que se vê (no Brasil) são números que crescem e preocupam a cada dia mais.

O número de estupros no estado de São Paulo, por exemplo, ganhou proporções descomunais. O número de vítimas não para de crescer. Segundo dados da Secretaria de Segurança de São Paulo, o crime de estupro foi o delito que mais aumentou nos últimos anos no nosso Estado. De 2005 a 2012 houve um crescimento médio anual de 19,7%, o que significa uma alarmante evolução de 230%.

Não basta apenas apresentarmos soluções ou agravarmos esse tipo de crime, mais que isso, faz-se necessário que os cidadãos sejam educados à valorização da vida e do ser humano de um modo geral.

Especialmente no que tange às mulheres, que por fazerem parte durante décadas de uma sociedade patriarcal, encontram dificuldades no momento em que percebem estar sendo vítima do abuso ou da violência, de denunciar seus opressores, muitas vezes parceiros e membros da família.

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